24.1.08

Láhiri Mahásaya - por Paramahansa Yogananda

Láhiri Mahásaya
No Livro Autobiografia de um Iogue de Paramahansa Yogananda está escrito sobre Láhiri Mahásaya, pag 22, 23 e 24:
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''Láhiri Mahásaya deixou este mundo pouco depois de eu nele haver entrado. Seu retrato, em moldura ornamentada, sempre permaneceu no altar de nossa família, nas várias cidades para onde meu pai era transferido por necessidade de serviço. Muitas manhãs e muitas noites nos encontraram, à minha mãe e a mim, em meditação ante o improvisado altar, oferecendo flores aromatizadas com pasta de sândalo. Juntando incenso e mirra às nossas devoções honrávamos a Divindade que se manifestara com plenitude em Láhiri Mahásaya.
Sua fotografia teve influência em minha vida. À medida que eu crescia, o pensamento focalizado no mestre crescia comigo. Em meditação, eu via com frequência sua imagem fotográfica destacar-se da pequena moldura e, assumindo forma vivente, sentar-se diante de mim. Quando eu tentava tocar os pés de seu corpo luminoso, ele voltava a se transformar em fotografia. No período de transição da infância para a adolescência, aconteceu que Láhiri Mahásaya deixou de ser a imagenzinha exterior encerrada em moldura, para surgir em minha própria mente, convertido e ampliado em presença vívida e luminosa. Em momentos de prova e confusão, eu costumava invocá-lo numa prece, encontrando em meu interior, sua orientação consoladora.
A princípio, eu me afligia por não o ter mais neste mundo, em seu corpo físico. Quando comecei a descobrir sua secreta onipresença, já não volvi a me lamentar. Ele escreveu, amiúde, a todo discípulo demasiado ansioso em visitá-lo: ''Porque vir me contemplar em carne e osso, quando estou sempre dentro do raio de visão de seu Kutástha (olho espiritual)?''
Aos oito anos de idade aproximadamente, conheci a bênção de uma cura maravilhosa, graças ao retrato de Láhiri Mahásaya. Esta experiência intensificou meu amor. Enquanto residia em nossa grande propriedade familiar de Ichapur, em Bengala, contraí o cólera asiático. Fui desenganado pelos médicos; estes nada mais podiam fazer. Ao lado de meu leito, mamãe impeliu-me freneticamente a olhar a fotografia de Láhiri Mahásaya, presa à parede, acima de minha cabeça.
-Curve-se diante dele, mentalmente! - Ela sabia que a excessiva fraqueza me impedia até mesmo de erguer as mãos para saudá-lo.
-Se oferecer sua devoção e ajoelhar interiormente diante dele, sua vida será salva!
Olhei fixamente a fotografia e contemplei uma luz cegadora que envolvia meu corpo e o quarto inteiro. Minha náusea e outros sintomas incontroláveis desapareceram; eu estava curado. Imediatamente me senti bastante forte para inclinar-me e tocar os pés de minha mãe num gesto de reconhecimento pela fé incomensurável que ela demonstrara ter em seu guru. Minha mãe comprimia a cabeça repetidas vezes contra o pequeno retrato: - Ó Mestre Onipresente, agradeço-Te por Tua luz ter curado meu filho!
Compreendi que ela também havia testemunhado o resplendor deslumbrante através do qual me recobrei instantaneamente de uma doença fatal.
Um de meus bens mais preciosos é essa fotografia. Oferecida a meu pai pelo próprio Láhiri Mahásaya, ela irradia uma santa vibração. Este retrato teve origem miraculosa. Ouvi a história contada por Káli Kumar Roy, condiscípulo espiritual de meu pai.
Parece que Láhiri tinha aversão a ser fotografado. Não obstante seus protestos, tirou-se um retrato do mestre com um grupo de devotos, entre os quais Káli Kumar Roy. Surprendido, o fotógrafo descobriu que a chapa , na qual se divisavam claramente as imagens de todos os discípulos, apenas revelava um espaço vazio no centro, onde ele esperava que aparecesse a figura de Láhiri Mahásaya. O fenômeno foi amplamente comentado e discutido.
Certo estudante , fotografo perito, Ganga Dhar Babu, jactou-se de que a fugitiva imagem não lhe escaparia. Na manhã seguinte, quando o guru se colocava em posição de lótus, num assento de madeira com um biombo por trás, Ganga Dhar Babu chegou com seu equipamento. Tomando todas as precauções para o sucesso, tirou sofregamente doze fotografias. Em cada uma encontrou a impressão do assento de madeira com o biombo, mas a figura do mestre novamente havia sumido.
Em lágrimas e com o orgulho despedaçado, Ganga Dhar Babu procurou seu guru. Passaram-se muitas horas antes que Láhiri Mahásaya quebrasse o silêncio com um significativo comentário:
- Eu sou espírito. Pode a sua câmara fotográfica refletir o Invisível Onipresente?
-Vejo que é impossível! Mas, santo senhor, desejo ardentemente um retrato desse templo corpóreo. Minha visão era estreita: até hoje eu não tivera consciência que nele o Espírito habita em plenitude.
-Regresse, então, amanhã cedo. Posarei para você.
O fotógrafo novamente focalizou sua máquina. Desta vez, a sagrada figura não se cobriu de imperceptibilidade misteriosa; apareceu, nítida, na chapa. O mestre jamais posou para outro retrato; pelo menos, nunca vi outro.
A fotografia é reproduzida neste livro (Autobiografia de um Iogue. Imagem acima.)
Os traços fisionômicos de Láhiri Mahásaya, de casta universal, dificilmente sugerem a raça a que ele pertencia. O intenso deleite de sua comunhão com Deus é levemente denunciado pelo sorriso enigmático. seus olhos, semi-abertos, indicam um interesse nominal pelo mundo externo e, ao mesmo tempo, semicerrados, revelam sua absorção na beatitude interior. Alheio aos míseros atrativos da Terra, estava sempre desperto para atender generosamente aos problemas espirituais dos que o procuravam.
Pouco depois de minha cura, graças à luz que se projectou através da fotografia de Láhiri Mahásaya, tive uma visão de grande influência espiritual. Sentado em meu leito, certa manhã, absorvi-me em profunda concentração.
-Que há por detrás da obscuridade dos olhos? - Este pensamento inquiridor me avassalou a mente. Imensa luz manifestou-se instantaneamente em minha visão interna. Divinas figuras de santos, sentados em posição de lótus, em cavernas de montanhas, alinhavam-se , como imagens de um filme em miniatura, na grande tela de radiações surgida no interior de minha testa.
- Quem sois? - perguntei em voz alta.
_Somos iogues do Himalaia - É difícil descrever a resposta celestial; meu coração, estremecido, inundou-se de beatitude.
-Ah, como anseio ir ao Himalaia e tornar-me um de vós! - A visão desapareceu, mas seus raios prateados expandiram-se em circulos cada vez maiores , até ao infinito.
- Que maravilhoso esplendor é este?
-Eu sou Iswara. Eu sou Luz! - A voz se parecia a nuvens murmurantes.
-Quero unir-me a Ti!
Do lento desvanecer-se de meu divino êxtase, ficou-me a herança de uma permanente inspiração para buscar a Deus. ''Ele é Alegria eterna, sempre renovada!'' Esta lembrança perdurou muito após o dia do místico rapto.
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Do livro 'Autobiografia de um Iogue', paginas 22, 23, e 24.
Paramahansa Yogananda

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Adorei ler este livro.
Agradeço imensamente a Yogananda por ter partilhado estas vivencias .
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